USANDO A ARGILA NA PSICOTERAPIA
Mão na massa! Enquanto amasso o barro percebo as sensações
que vão se fazendo presentes em mim. É macio?
Frio? Quente? Liso? Áspero? Percebo essas sensações
ou quero ir logo em frente, moldando um objeto que já
tenho em mente? Faço isso com pressa? Com calma? Com
ansiedade? Com prazer? Com receio? Com alegria? Quem sou eu
enquanto crio? Sinto-me capaz ou incapaz de criar? O que minha
criação tem a ver comigo, com a minha vida?
O ato criativo constitui a saúde psicológica.
Trabalhar com argila na psicoterapia amplia nossas possibilidades
de experiência fazendo-nos entrar em contato com sentimentos
e sensações relacionados ao momento presente.
Entram em cena a imaginação espontânea,
a precisão, a emoção. Cada movimento
de amassar e de moldar a argila nos coloca em contato com
nossa própria história. Uma história
que podemos decifrar, des-cobrir, partilhar, confrontar, confortar.
Uma história que podemos contar aos outros ou a nós
mesmos. Podemos nos ver no objeto que moldamos. Estamos lá,
de alguma forma estampados.
Quando criamos entramos em contato com uma parte de nós.
O resultado é a arte. Não a arte estética,
e sim a arte existente em nós.
Mas criar o quê?
A coisa mais importante é deixar que nossa intuição
nos diga o que fazer. Daí percorremos um longo “safari
na floresta” no sentido de seguir e desvendar o que
nos apontou a intuição. Se rejeitamos a intuição
nos tornamos meros classificadores de coisas. Mas se nos arriscamos,
deixamos para trás estruturas rígidas que vínhamos
mantendo. Se nos arriscamos abrimos a possibilidade de uma
nova maneira de lidar com o mundo, abraçando sua diversidade.
O ponto de chegada é reorganizar nossa ordem interna
e aprendermos a nos basear em nossas próprias habilidades.
Des-cobrir significa "destampar" nossa própria
habilidade, nossos próprios olhos, no sentido de encontrar
nosso potencial, ampliando nossa vida e buscando dentro de
nós os recursos disponíveis para lidarmos com
o mundo.
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