TERAPIA
INTEGRADA EM PSICOLOGIA ANALÍTICA
SOMOS
TODOS FORMAS PENSAMENTO D'ÁGUA A FLUTUAR NO IMENSO
OCEANO DE NOSSAS EXISTÊNCIAS. ENTRAMOS, AOS POUCOS,
EM CONTATO COM A LUZ DO SOL, NOSSA CONSCIÊNCIA, E DERRETEMOS
AS PARTES CRISTALIZADAS DE NOSSO SER, PARA FINALMENTE RE-CONHECERMOS
QUE SOMOS FORMADOS PELA MESMA ESSÊNCIA.
Todos
nós somos seres bio-psico-espirituais e sócio-culturais,
e nesta integração temos ligação
com a coletividade, por meio de nosso biológico, por
pertencermos à mesma espécie; pelo social, por
meio de representações simbólicas comuns
à nossa cultura, denominadas “arquétipos”
por Jung. Diferimos, no entanto, como indivíduos, entre
todos da mesma espécie, pelo nosso psíquico,
por meio do conteúdo (complexos pessoais) que preenche
a forma primordial (arquétipo) e pelo espiritual, hoje
tratado pela Psicoterapia Reencarnacionista. Apesar de possuirmos
os mesmos arquétipos, temos representações
e influências diferentes destes em nossas vidas.
Para
melhor entendimento podemos utilizar uma situação
do nosso cotidiano numa Alquimia Caseira: temos a nossa disposição
inúmeras fôrmas de bolo de tamanhos e tipos diferentes.
De acordo com nossa necessidade do momento, utilizamos em
nossa casa uma ou outra fôrma. Ao fazermos o nosso bolo,
portanto, usamos uma fôrma já existente (os arquétipos)
e a preenchemos com nosso conteúdo pessoal (os complexos).
No entanto, embora duas pessoas possam utilizar a mesma fôrma,
certamente o resultado obtido será diferente. Isso
ocorre devido à configuração do momento
de cada um: a temperatura do forno (Calcinatio), o humor ao
fazer o bolo (Solutio), a interpretação da receita
(Sublimatio), o modo de bater a massa (Coagulatio), entre
outros fatores ou eventos ocorridos quando da confecção
do bolo (nossa Alquimia da Vida).
Os
arquétipos, quando inconscientes, agem impulsivamente
em nossa vida colocando-nos em situações avessas
a nossa vontade. Quando iniciamos nosso processo de autoconhecimento,
tornando, aos poucos, esses arquétipos conscientizados,
estamos gradualmente tomando as rédeas de nossas vidas.
Não somos mais levados por eles, assumimos, conscientemente,
aqueles que guiam nossas atitudes, fazendo nossas revisões
e escolhas.
"No
inconsciente, os arquétipos individuais não
estão ilhados uns dos outros, eles existem num estado
de contaminação, de completa e recíproca
interpenetração e fusão. O aspecto que
viermos a enfatizar dependerá de nossa finalidade,
de nossas circunstâncias, de nossas necessidades. É
importante reconhecermos que as imagens arquetípicas
sempre contêm uma valência pessoal e aparecem
num contexto específico. A apreensão do seu
significado sempre cobrará de nós uma atenção
às suas particularidades, não somente a seus
traços gerais" (Jung).
Assim,
o processo de terapia, via Psicologia Analítica, integrada
em vivências de corpo- mente, espirituais – sociais,
orientadas à saúde, pode ser ilustrado, por
analogia, pelo Processo Alquímico, como a arte da transformação
para a busca do autoconhecimento.
Na
Psicologia Analítica Integral, somos a Matéria
Primordial – a quinta essência - formada e transformada
pelos quatro elementos: fogo, água, ar, terra. Primeiramente,
no processo terapêutico, há a operação
do fogo, que queima, seca e retira todos nossos humores, que
são as interpretações afetivas em relação
à situação vivida. Assim, chegamos à
situação nua e crua, o real na análise
(a Calcinatio). Na operação da água,
são re-significados os sentimentos. O indivíduo
começa a se re - conhecer, com humores revisados e
escolhidos, ao buscar a solução de algo, ora
para solver ou dissolver a situação (Solutio).
Com a operação do ar, destilação,
é obtida a separação entre o sólido
e o líquido, gerando o volátil ou gasoso, que
expressa a aplicação do pensamento no processo
terapêutico. Dessa forma, o indivíduo toma distância
da situação, podendo assumir a imagem do observador
(a Sublimatio). A operação da terra ocorre para
que o indivíduo concretize, corporifique, construa
algo que renasce das cinzas calcinadas, tal como Fênix
(a Coagulatio).
Ainda,
interpretando na Alquimia, a Psicologia Analítica apresenta
no processo terapêutico três momentos distintos:
Nigredo, Albedo e Rubedo.
No
Nigredo, o indivíduo apresenta uma situação
caótica em sua vida, que o faz buscar a terapia. O
inconsciente se expressa através do corpo, criando
marcas, demarcando seu território, por meio de sintomas,
podendo chegar até a doença ou à “dês-harmonia
vital”.
Na
relação com o psicólogo terapeuta, o
indivíduo sente a necessidade de se autoconhecer. Inicia-se
um processo com o auxílio da análise visando
emergir o sujeito por detrás do sintoma, buscando descola-lo
da posição de “doente”, transformando-o
de paciente em cliente. Retornando à Alquimia, essa
é a fase de Albedo, onde ocorre a reflexão interna,
e o cliente, ao refletir, debruça-se sobre o conteúdo
trazido das profundezas do ser para ser re-visitado à
luz da consciência.
Ao
final do processo, ocorre o Rubedo, que compreende o vivenciar
das experiências do Mundo Interno, fazendo com que o
cliente consiga emergir de forma diferente colocando sua ação
no Mundo Externo, que aguarda sua contribuição
pela Alquimia da Vida.
Para
que haja a realização de tudo que aqui foi descrito,
o terapeuta-psicólogo utiliza, integradamente, várias
práticas orientadas ao processo de autoconhecimento
pelo cliente.
A
busca da unidade, segundo Carl Jung, não é o
equilíbrio, mas a construção criativa
do sujeito de um terceiro elemento, união entre o corpo
e a mente, que é justamente o Símbolo. Em cada
complexo de eventos encontra-se o símbolo e faz-se
o tratamento terapêutico, obtendo-se a harmonia, na
integração entre o físico, o psíquico,
o espiritual e o sócio-cultural.
Assim
é a concepção que orienta a forma que
consideramos e tratamos a saúde como um todo integrado,
que, ao harmonizar-se, trará a construção
criativa permanente do cliente, cada vez com mais saúde,
harmonia e vontade de viver.
Desenvolvo
este trabalho Analítico utilizando a Filosofia Oriental
na leitura corporal, com base na MTC - Medicina Tradicional
Chinesa e na Medicina Ayurvédica. Simultaneamente a
essa leitura, elaboro um plano terapêutico integrado
para o cliente, visando atender às suas necessidades
pessoais, sob a ótica da Psicologia Analítica,
respeitando sempre a premissa de Jung: “Somos iguais
porém diferentes ao mesmo tempo.”
Carla Ramos, Psicóloga especializada em Psicologia
Analítica, coordena grupos de estudo sobre Jung e ministra
cursos sobre o mundo feminino.
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